Friday, April 13, 2007

O outro lado de nós...

Há dias em que acordo com aquela enorme sensação de insatisfação perante a vida. Levantar, banho, dentes, vestir, perceber o que passa pela cabeça do cão...e de quem era o sorriso que acordou ao meu lado, sempre diferente mais igual a todos os dias...enfim rotina.
O trabalho não anda nem desanda e os dias de sol parecem cada vez mais cinzentos..."diaxo" de vida, penso.

As horas não passam e enquanto resmungo "Nunca mais é Sexta", o computador observa-me como se quisesse que dele tirasse algo de novo...eu bem queria, mas há dias em que um teclado é mesmo um só teclado e não há milagre que produza o que quer que seja de novo.

Espreito pela janela e vejo no jardim os caes a gozarem o sol...o que estará a minha fera a destruir a esta hora? Espero não ter de pagar uma nova janela à senhoria :(

Sem forças para fazer algo de útil navego pela net ao sabor da maré, leio o jornal, verifico as infinitas contas de email e dou um salto ao hi5: "Talvez hoje o meu irmao tenha visto a minha mensagem"...e eis que, perdidos num emaranhado de links e janelinhas, surgem murmurios de um tempo que julgava esquecido. Amigos de longa data que aparecem não sei bem de onde mas de quem é sempre refrescante receber um "Olá...tenha saudades"...a impagavel sensação de termos sido importantes para alguem, de termos com a nossa vivencia, deixado uma memória que consegue arrancar um sorriso e em dias bons, quem sabe, uma gargalhada.

Sorrio e penso que pelos caminhos secundários, os chamados "caminhos de cabras" que percorro desde sempre, também encontrei pedaços de chão alcatroados nos quais não era penoso andar...um dia chegarei à auto-estrada...já me contentava com um IP.

No meio dos murmurios encontro um diferente (deve acontecer a toda a gente), a memória empoeirada de um primeiro namorado e um beijo. Avalio a fotografia e procuro as diferenças naquele que, na minha idade do armário, pensava estar para mim como Cristo para os cristaos. Os traços não mudaram, apenas se acentuaram com o passar dos anos....penso: como poderá o tempo mudar-nos de forma tão extrema? As borboletas já não saltam na barriga na presença daqueles olhos verdes e brilhantes...talvez por ambos termos encontrado novos "animais de estimação", quem sabe!

Lembro-me de que afinal, hoje é Sexta-Feira mas há muito que uma Sexta não tem o mesmo sabor...entre os 6 "empregos" que temos e os cursos, pós-graduações e mestrados que teimamos em tirar não sobra muito tempo.

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